Letras que se vão escapando da prisão dos meus pensamentos e vão formando palavras no écran...sentidas...vividas, à espera de serem partilhadas...também sentidas!Talvez vividas...
Monday, February 27, 2012
TRADIÇÕES LIGADAS AO CARNAVAL As cegadas e o «enterro do chouriço»
O «enterro do chouriço»
A seguir ao Carnaval, na 4ª feira de cinzas, cumpre-se a tradição do Enterro do Chouriço.
No Concelho de Loures, à semelhança de outras regiões, o Carnaval tradicional era marcado pelas cegadas, danças e o «Enterro do Entrudo», «Enterro do Bacalhau» ou, como no caso de Vila de Rei (ver imagens)o «Enterro do Chouriço».
Hoje em dia, em várias freguesias do Concelho ainda se cumpre a tradição, quer no que diz respeito às cegadas e ao Carnaval, quer no que diz respeito ao Enterro do Chouriço. Tal é o caso das localidades da Bemposta, com a celebração de cegadas e Vila de Rei, com o «Enterro do Chouriço».
Manda a tradição que, no ultimo caso, os homens saiam à rua vestidos de mulher para carpir a morte do «chouriço». As personagens femininas representam a esposa, a filha e restantes parentes e amigas mais próximas do «defunto». Há também a figura do sacristão, do prior e do coveiro, e todos vão cantando uma lengalenga a propósito do defunto, e gritando impropérios de cariz brejeiro à medida que o cortejo fúnebre vai andando pelas ruas da localidade, pela noite dentro. Outra das tradições ligadas ao Carnaval é «deitar as pulhas», que consistia em subir a uma colina perto de uma localidade, à noite, ou ao alto de um moinho velho e gritar indiscrições, em forma de verso, a respeito de raparigas solteiras ou maledicências a respeito de algum vizinho. Estas pulhas eram acompanhadas pelo toque de um búzio ou um corno de boi, de modo a ouvirem-se bem à distância, estando os «acusadores» bem encobertos pela noite.
No dia do enterro do Entrudo (4.ª Feira de Cinzas), fica-se a velar o “morto” durante todo o dia e à noite faz-se o enterro. O morto, um boneco em palha, é colocado dentro de uma «urna» e ficam ali uns quantos sujeitos vestidos de preto, que vão gritando como se fossem seus familiares. No final do cortejo, o boneco é queimado. Tudo isto é acompanhado de gargalhadas e piadas geralmente de cariz erótico. É costume também a apresentação de uma representação teatral relatando os últimos dias de vida do «defunto»,com a leitura do seu «Testamento».
Como refere Ernesto Veiga de Oliveira “ (…) No Sul de um modo geral temos notícia, em relação a vários lugares – Sesimbra, Ourique, Odemira, etc. – das “paródias” ou “cegadas” de Carnaval, que por vezes figuram acontecimentos cómicos ocorridos a alguém durante o ano, e servem de pretexto para os participantes proclamarem a respeito de todas as pessoas aquilo que não se quer que se diga. (…) “
As Cegadas, tal como as “pulhas” ou os “testamentos” são uma das muitas formas de crítica social, que revelam o sentido satírico e humorístico do nosso povo, num cenário de celebração cíclica, bem característica entre nós – O Carnaval.
As Cegadas em Loures, cujas origens se perdem na memória dos mais idosos, são ainda hoje motivo de convívio e de festa da população mais rural do Concelho. Em regra as Cegadas, constituem «peças teatrais» com um carácter predominantemente brejeiro, exibidas em colectividades locais e são representadas por grupos constituídos por quatro a seis elementos (tradicionalmente todos homens) durando não mais que uma hora.
Os textos, que tanto podem abordar temas locais, como de âmbito mais geral, são normalmente encomendados a pessoas de fora do grupo, ou da localidade ou fora dela, que têm por hábito escrever cegadas, no entanto, por vezes são também feitos por pessoas do próprio grupo.
A característica mais importante da cegada é o facto de ser uma oportunidade para, estando disfarçado dos pés à cabeça, «gozar» com personalidades da vida pública que normalmente se respeitam, pregar partidas e até mesmo criticar o governo ou os governantes.
Por isso, nos anos 60 do século XX, o nosso governo proibiu as cegadas (por causa das críticas políticas, que na altura não se podiam fazer). Este foi o tempo das «grandes cegadas», porque, justamente por serem proibidas, levou a que a tradição reacendesse!
A origem das cegadas
Existiram vários tipos de cegadas, não existindo uma data rigorosa para o seu aparecimento. Podemos no entanto apontar para a década de 1880 o aparecimento dos espectáculos de rua em Lisboa, cantados em tom maior; o fado corrido. Nessa altura, as Cegadas não eram mais que críticas cantadas em verso, dos costumes burgueses e das lutas políticas da altura. Nelas participavam sempre 4 homens, que encarnavam personagens fixos: A mulher do lupanar (prostituta de bordel), cantadeira e mulher de vida fácil, conhecedora dos segredos íntimos dos clientes da burguesia e da política, o Janota (ou pagantes), caloteiro que só pagava quando a sua «protectora» o financiava e lhe pagava as dívidas por medo do escândalo e da exposição social, o polícia, ignorante buçal que tanto mantinha a ordem como a provocava conforme o dinheiro que lhe dessem e finalmente o Galego, figura tão típica da cidade de Lisboa durante décadas. Foram muitos os galegos que emigraram para a nossa capital, fazendo todo o tipo de trabalhos que todos rejeitavam. Muitos conseguiram «subir na vida» e estabeleceram-se na cidade, onde ainda hoje existem muitos cafés e restaurantes que derivaram de carvoarias e tabernas desses galegos estabelecidos que conseguiram ter sucesso na vida. Durante os três dias do Entrudo, estas personagens actuavam nas ruas de Lisboa e os mais afortunados assistiam de «bancada», das suas janelas a essas fadistices. Como nem sempre o repertório era do agrado do auditório e havia sempre alguém que se ofendia, geralmente acabava em pancadaria! No final, os quatro «actores» diziam a frase: «Cinco reis, dez reis, tudo é dinheiro». Com o tempo, talvez pela constante violência com que inevitavelmente estas cegadas acabavam, muitas vezes com carga policial, ou porque o fado entretanto se tornou mais polido, as cegadas foram adquirindo um carácter mais dramático e passaram a contar situações histórias em tom menor. Serviam de tema; o drama de D. Inês, o regresso por entre o nevoeiro de D. Sebastião e o exílio de Camões.
Quando a República passou a ter os seus adeptos Marx e Lenine passaram a ser lidos e as cegadas adquiriram uma conotação fortemente política, servindo também de campanha para a sensibilização da opinião pública para a queda da Monarquia. O Fado serviu, uns anos antes da queda da Monarquia em 1910, como canção revolucionária. A atestar esta afirmação, João Black, socialista republicano que começou a cantar em 1893, deslocava-se várias vezes ao Alentejo para cantar os seus versos alexandrinos políticos, aos quais ele chamava «canções ao domicílio»! Faz lembrar as campanhas políticas
As cegadas eram a maior diversão popular nos finais do séc. XIX e até meados de 1926 constituíram a diversão de rua máxima da gente humilde.
Tuesday, December 27, 2011
Thursday, November 10, 2011
Wednesday, October 19, 2011
Wednesday, April 13, 2011
Friday, March 25, 2011
Sem rumo...
Vagando ao sabor do nada
Num barco que perdeu a amarra
Flutuo mum mar sem vagas...
Num balanço ritmado...
Sem tempo, sem prazo...
O horizonte. esbate-se numa linha perdida
Só visível em sonhos e memórias
Quero rumar para a costa, mas não sei onde está!
Quedo-me quieta....à espera!
De noite olho as estrelas buscando o rumo.
De dia, fecho os olhos e banho-me com a luz do Sol
Sorrio....A costa há-de aparecer de novo no horizonte!
Até lá, vou-me embalando com o sabor do nada...
Com a luz do Sol
E o brilho das estrelas!
Num barco que perdeu a amarra
Flutuo mum mar sem vagas...
Num balanço ritmado...
Sem tempo, sem prazo...
O horizonte. esbate-se numa linha perdida
Só visível em sonhos e memórias
Quero rumar para a costa, mas não sei onde está!
Quedo-me quieta....à espera!
De noite olho as estrelas buscando o rumo.
De dia, fecho os olhos e banho-me com a luz do Sol
Sorrio....A costa há-de aparecer de novo no horizonte!
Até lá, vou-me embalando com o sabor do nada...
Com a luz do Sol
E o brilho das estrelas!
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